Hoje, excepcionalmente, não falaremos de direito. 

Nossa coluna se debruça sobre uma tragédia de contornos dilacerantes que tem devastado vidas e sonhos sob um céu cinzento e implacável. Até o momento em que estas linhas são traçadas, dez almas foram arrancadas do seio de suas famílias pela fúria de uma natureza em fúria, manifestada em chuvas torrenciais, inundações avassaladoras e deslizamentos impiedosos, no seio do nosso amado Estado do Rio Grande do Sul.

As notícias chegam carregando consigo o peso do desespero: pessoas desaparecidas, cujos nomes agora ecoam em um vazio angustiante; famílias destruídas, que enfrentam o abismo da perda, com corações partidos pela saudade que se instala pesada e que talvez nunca os deixe. A dor é uma visita que raramente parte, quiçá permanecendo nas sombras dos dias que virão.

Neste momento de angustia, nossa solidariedade as mais de 2.500 famílias, compostas também por mulheres e crianças, agora desabrigadas, que encontram-se em abrigos municipais ou recantos provisórios nas casas de familiares, tendo perdido tudo… tudo, exceto a faísca de esperança que, por milagre, resiste e brilha em meio à adversidade.

Como podemos, então, frente a tal desastre, reconstruir não apenas casas, mas vidas e sonhos? O processo é lento, feito de pequenos passos e grandes gestos de humanidade. É um teste para nossa compaixão coletiva, uma prova para a nossa vontade de erguer novamente o que foi derrubado, não só em termos materiais, mas também em espírito.

É essencial que cada um de nós se veja como parte da solução. Que possamos oferecer não só nosso suporte material, mas nosso tempo, nossa presença. Que as histórias de dor se transformem em histórias de superação e que cada lágrima vertida se cristalize em determinação e renovação.

Portanto, enquanto a chuva ainda cai lá fora, que ela não leve consigo a nossa capacidade de amar e de nos levantarmos, juntos, mais fortes. Que as lembranças daqueles que partiram inspirem atitudes de coragem e transformação. Que a saudade, por mais que aperte, seja também um lembrete de nossa fragilidade e de nossa força incomensurável.

Aos que hoje choram, ofereçamos nosso ombro; aos que hoje lutam para reconstruir suas vidas, estendamos nossas mãos. A jornada é árdua, mas não é solitária. Somos muitos, somos juntos, e somos, acima de tudo, um teste vivo de que a empatia e a solidariedade ainda são as maiores virtudes que podemos cultivar.

Para sugestões de temas ou comentários, sinta-se à vontade para enviar um e-mail para:

renansnunesadv@gmail.com

Renan Nunes 

Mais artigos: